A batalha antes da largada: ansiedade, pressão e a mente do atleta
Nem toda batalha do esporte acontece durante a prova. Às vezes, o maior desafio começa antes mesmo da largada.

Fernando Paternostro
Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis
10 de jul. de 2026

São quatro horas da manhã.
O despertador toca, mas a verdade é que você quase não dormiu.
A bike já está revisada. O tênis está separado. A alimentação foi planejada. O relógio está carregado. Foram meses de treino, centenas de horas de preparação, dias em que você acordou cedo enquanto a maioria ainda estava dormindo.
Mesmo assim, minutos antes da largada, uma pergunta aparece:
Será que eu vou conseguir?
Eu já senti isso.
E provavelmente qualquer atleta que já colocou um número no peito também.
A parte invisível da preparação
No esporte gostamos de medir tudo.
Ritmo por quilômetro.
Watts.
Frequência cardíaca.
Horas de sono.
Carga de treino.
VO2 máximo.
Temos gráficos para quase tudo.
Mas existe uma parte da performance que nem sempre aparece no relógio: aquilo que acontece dentro da cabeça do atleta.
A ansiedade antes de uma competição não significa falta de preparo.
Não significa fraqueza.
Muitas vezes, ela aparece justamente porque aquilo importa.
Porque você treinou.
Porque sacrificou tempo.
Porque colocou expectativa em algo.
O corpo entende que existe um grande desafio chegando.
Quando a mente tenta proteger você
Antes de uma prova importante, o organismo pode entrar em estado de alerta.
O coração acelera.
O sono fica mais difícil.
Os pensamentos chegam mais rápido.
Você revisa mentalmente tudo que poderia dar errado.
Isso acontece porque o cérebro humano foi construído para antecipar desafios.
Em muitos contextos, essa resposta é útil.
O problema começa quando deixamos de enxergar isso como uma resposta normal do corpo e começamos a achar que existe algo errado conosco.
Durante muito tempo, no esporte, falar sobre medo ou ansiedade parecia incompatível com a imagem do atleta forte.
Mas força também é entender o que acontece dentro da própria mente.
O atleta moderno está mudando essa conversa
Nos últimos anos, alguns dos maiores nomes do esporte começaram a falar abertamente sobre saúde mental.
E isso mudou algo importante.
Percebemos que atletas não são máquinas.
Mesmo quem parece extremamente disciplinado, preparado e resistente também precisa lidar com pressão, expectativa e emoções.
Cuidar da mente não diminui o atleta.
Faz parte da preparação.
Assim como cuidamos da alimentação, recuperação e treinamento físico, entender nosso equilíbrio emocional também faz parte de uma visão mais completa de saúde.
Onde entra a cannabis medicinal nessa conversa?
Quando falamos sobre ansiedade, sono ou saúde mental, é comum que a cannabis medicinal apareça na discussão.
Mas é importante deixar algo claro:
Cannabis não é uma ferramenta para simplesmente "tirar o nervosismo antes da prova".
Ansiedade tem diferentes causas, diferentes intensidades e diferentes abordagens.
Para algumas pessoas, dentro de uma avaliação médica individual, os canabinoides podem fazer parte de uma conversa mais ampla sobre cuidado e saúde.
Mas essa decisão pertence ao paciente e ao médico.
Não ao atleta tentando encontrar um atalho.
Não ao amigo do treino.
Não a uma tendência da internet.
O que o esporte me ensinou
Depois de muitos quilômetros nadando, pedalando e correndo, uma coisa fica cada vez mais clara:
o atleta que chega melhor preparado não é aquele que ignora os sinais do corpo.
É aquele que aprende a escutá-los.
A ansiedade antes da largada não significa que você não pertence ali.
Muitas vezes significa exatamente o contrário.
Significa que existe uma história, esforço e dedicação envolvidos.
A verdadeira evolução do esporte talvez não esteja apenas em treinar mais forte.
Mas em entender melhor o ser humano que existe por trás do atleta.
Porque antes de cruzar qualquer linha de chegada, existe uma batalha silenciosa acontecendo.
E ela começa dentro da nossa própria mente.
Aviso
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.Fontes e referências
- Sport-related anxiety: current insights
- The anticipatory stress response to sport competition: a systematic review with meta-analysis of cortisol reactivity
- Understanding sleep disturbance in athletes prior to important competitions
- The efficacy and safety of cannabinoids for the treatment of mental disorders and substance use disorders: a systematic review and meta-analysis
Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.
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