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CBD entre atletas de elite no Canadá: uso, percepção e risco antidoping

Pesquisa encontrou uso anterior em 38% dos participantes e forte percepção de benefício, mas os dados são autorrelatados.

FP

Fernando Paternostro

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis

20 de jul. de 2026

Atleta de elite com medalha representando uso de CBD e risco antidoping

O CBD já circula no esporte de elite, mesmo com evidência clínica ainda em construção. Uma pesquisa com atletas canadenses mostra como eles usam o composto, o que acreditam obter e qual risco mais pesa na decisão: uma possível violação antidoping.

Como a pesquisa foi realizada

O estudo foi um levantamento anônimo e transversal, aplicado entre outubro de 2021 e junho de 2023 a atletas ligados a programas olímpicos e paralímpicos do Canadá. Oitenta pessoas responderam.

Esse desenho oferece uma fotografia de comportamento e percepção. Não compara CBD com placebo, não mede diretamente sono ou recuperação e não permite afirmar que o produto causou os benefícios relatados.

Quantos atletas usaram CBD

Trinta participantes, ou 38% da amostra, disseram já ter usado CBD. Entre esses usuários, nove relataram uso atual no momento da pesquisa. A tintura ou o óleo oral foi a forma mais comum.

Entre quem usou, 96% concordaram que o CBD era seguro, 93% disseram que melhorava o sono, 90% relataram melhora do relaxamento e 77% associaram o uso à redução da dor do treinamento.

Esses percentuais descrevem crenças e experiências pessoais, não taxas de eficácia. Quem escolhe usar um produto pode ter expectativas mais favoráveis, e uma pesquisa retrospectiva não controla outras mudanças na rotina.

Amigos e internet ainda lideram a informação

Amigos foram a primeira fonte de informação mais citada, com 26%, seguidos pela internet, com 24%. O padrão se aproxima do observado em outros esportes: a adoção costuma avançar mais rápido do que a orientação baseada em evidências.

Para atletas, isso é particularmente sensível. A decisão envolve condição clínica, medicamentos, dose, composição do produto, legislação e regras da modalidade. Uma recomendação informal dificilmente cobre todas essas dimensões.

A preocupação com antidoping faz sentido

O motivo mais citado para nunca usar ou interromper o CBD foi o receio de violar regras antidoping, mencionado por 28%.

O CBD isolado é permitido pela WADA. Outros canabinoides podem ser proibidos em competição, e produtos rotulados como CBD podem conter THC ou outros compostos não declarados. A ausência de intenção não elimina a responsabilidade do atleta por uma amostra positiva.

Certificações e testes independentes podem reduzir risco, mas não criam garantia absoluta. A avaliação precisa considerar também o período da competição e as regras atualizadas aplicáveis ao atleta.

O que o estudo não responde

A amostra foi pequena diante dos mais de mil atletas alcançados pelo convite, o que abre espaço para viés de participação. Pessoas com interesse ou experiência em CBD podem ter sido mais propensas a responder.

O estudo não confirmou composição, dose ou frequência dos produtos; não avaliou eficácia clínica; e não acompanhou resultados ao longo do tempo. Por isso, não permite comparar benefícios e riscos de diferentes estratégias.

Uma lacuna de educação, não uma prova de eficácia

A pesquisa mostra que atletas de alto nível buscam CBD principalmente por sono, relaxamento, dor e recuperação. Mostra também que a percepção de segurança é alta, embora a preocupação antidoping permaneça.

O passo responsável não é transformar popularidade em recomendação. É oferecer educação baseada em evidências, avaliação individual e informação clara sobre qualidade de produto e responsabilidade objetiva.

Uso frequente no esporte pode orientar novas pesquisas. Não substitui os ensaios que ainda faltam.

Aviso

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.

Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.

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