THC rende suspensão a jogador de basquete: o que atletas precisam entender
Xavier Cooks recebeu um mês de inelegibilidade após um teste em competição. O caso reforça a diferença entre uso fora de competição, resultado positivo e Autorização de Uso Terapêutico.

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis
Publicado em 30 de ago. de 2026
Atualizado em 30/08/2026

O jogador de basquete Xavier Cooks recebeu uma suspensão de um mês após a detecção de um metabólito do THC em uma amostra coletada durante competição. A decisão foi divulgada em 19 de agosto de 2026 pela Sport Integrity Australia e reacende uma dúvida importante para atletas: o que muda quando o uso ocorre fora de competição, mas o resultado aparece em um controle realizado dentro dela?
O caso não autoriza conclusões sobre intenção, benefício esportivo ou tratamento médico. Ele mostra, porém, que contexto, documentação e regras antidopagem precisam ser tratados antes da competição — não depois de um resultado adverso.
O que aconteceu com Xavier Cooks
Segundo a Sport Integrity Australia, o controle foi realizado em 27 de março de 2026 e identificou Carboxy-THC, um metabólito do THC. A Basketball Australia aplicou um mês de inelegibilidade, contado de 4 de junho a 3 de julho de 2026.
O órgão australiano informou que Cooks cumpriu os requisitos previstos para redução da sanção: estabeleceu-se que o uso ocorreu fora de competição e não estava relacionado à performance esportiva, além da conclusão satisfatória de um programa aprovado para substâncias de abuso. Por isso, a penalidade não deve ser interpretada como automática para qualquer atleta ou qualquer resultado positivo.
A própria decisão também registra que essa foi a segunda violação antidopagem de Cooks envolvendo as regras para substâncias de abuso. Pelas disposições aplicadas ao caso, ela não foi tratada como uma segunda violação para fins das regras de múltiplas violações.
Por que o THC continua sendo um risco antidopagem
Na Lista Proibida de 2026 da Agência Mundial Antidopagem, o THC está na classe S8, de canabinoides. A proibição vale em competição. O THC também é classificado como substância de abuso e como substância especificada.
Isso significa que a análise de uma eventual violação pode considerar circunstâncias previstas no Código, mas não elimina a responsabilidade do atleta pelo que é encontrado em sua amostra. Também não existe, a partir desse caso, uma fórmula segura de prazo ou consumo que garanta resultado negativo. Organismo, produto, forma de uso e contexto variam, e tentar calcular uma janela para escapar do controle é incompatível com uma orientação responsável.
Uso fora de competição não é salvo-conduto
A regra que proíbe o THC em competição não transforma todo uso fora desse período em uma escolha sem risco esportivo. Um metabólito pode ser detectado posteriormente, e a existência de regras específicas para substâncias de abuso não impede abertura de processo nem garante a mesma redução observada no caso australiano.
Além disso, cada atleta está sujeito às normas de sua modalidade, federação, nível competitivo e organização antidopagem. Uma decisão tomada na Austrália ajuda a compreender o Código Mundial, mas não substitui a avaliação da entidade responsável pelo atleta no Brasil.
Receita médica e AUT não são a mesma coisa
Quando um tratamento necessário envolve substância ou método proibido, atletas sujeitos ao controle de dopagem podem precisar de uma Autorização de Uso Terapêutico, a AUT. A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem explica que o pedido é analisado por uma comissão médica e exige documentação que comprove a necessidade clínica e o atendimento aos critérios antidopagem.
Para substâncias proibidas apenas em competição, a ABCD recomenda apresentar o pedido com pelo menos 30 dias de antecedência da próxima competição. A existência de receita ou indicação médica, por si só, não deve ser tratada como autorização antidopagem automática. O atleta precisa confirmar previamente se está sujeito a controle, qual entidade recebe o pedido e se a AUT é necessária em seu caso.
Essa orientação não sugere que Xavier Cooks alegou uso medicinal; a fonte oficial não faz essa afirmação. A AUT entra aqui como aprendizado prático para atletas que utilizam tratamentos prescritos.
E o CBD?
A Lista Proibida de 2026 mantém o canabidiol como exceção dentro da classe S8. Isso não significa que todo produto rotulado como CBD seja automaticamente seguro para atletas. Formulações de amplo espectro ou espectro completo podem conter outros canabinoides, e rotulagem, rastreabilidade e controle de qualidade importam.
O ponto não é prometer risco zero, mas evitar improviso: conversar com o profissional de saúde, verificar a composição do produto, guardar documentação e procurar a organização antidopagem competente antes de competir.
O aprendizado para atletas brasileiros
O caso Cooks reúne três mensagens objetivas. Primeiro, THC permanece proibido em competição. Segundo, uso fora de competição não garante ausência de resultado positivo. Terceiro, necessidade médica e permissão antidopagem são processos relacionados, mas distintos.
Quem compete sob regras antidopagem deve antecipar a conversa com médico, equipe e entidade responsável. Fernando Paternostro atua como atleta, paciente, comunicador e conector entre pacientes e médicos prescritores; não realiza diagnóstico, prescrição nem orientação jurídica individual.
Fontes
Sport Integrity Australia. Basketballer receives sanction. Publicado em 19 de agosto de 2026. https://www.sportintegrity.gov.au/news/doping-violation-updates/2026-08/basketballer-receives-sanction
World Anti-Doping Agency. 2026 Prohibited List, seção S8 — Cannabinoids. https://www.wada-ama.org/sites/default/files/2025-09/2026list_en_final_clean_september_2025.pdf
Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem. Você sabe o que é a Autorização de Uso Terapêutico e quando ela é necessária para atletas? Publicado em 12 de agosto de 2026. https://www.gov.br/abcd/pt-br/noticias/voce-sabe-o-que-e-a-autorizacao-de-uso-terapeutico-e-quando-ela-e-necessaria-para-atletas
Aviso
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.Fontes e referências
Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.
Converse sobre seu casoRelacionados

Bebida com THC vira patrocinadora oficial de liga profissional de pickleball
Liga profissional de pickleball fecha patrocínio com bebida de THC derivado do cânhamo. Entenda o alcance comercial e o cuidado para atletas.


Fernando Paternostro: por que a conversa sobre cannabis no esporte precisa começar pela evidência
Em entrevista à Sports Cannabis, Fernando Paternostro defende uma conversa sobre cannabis e esporte guiada por evidências, segurança e contexto.


Jiu-jitsu, CBD e recuperação: o relato de Rhian Galdino pede contexto
O relato do atleta Rhian Galdino abre debate sobre CBD no jiu-jitsu, mas não substitui evidência, avaliação profissional ou cuidado antidoping.

