Jiu-jitsu, CBD e recuperação: o relato de Rhian Galdino pede contexto
Campeão paranaense relata uso de CBD em sua rotina; experiência individual não equivale a evidência clínica.

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis
Publicado em 21 de ago. de 2026
Atualizado em 21/08/2026

O jiu-jitsuense Rhian Galdino, de Curitiba, relatou que incluiu CBD em sua rotina de recuperação após treinos intensos. Segundo reportagem publicada em abril de 2026, o atleta atribui à experiência pessoal menos dor, melhor descanso e maior disposição para voltar ao tatame.
A matéria informa que Rhian conquistou o Campeonato Paranaense de Jiu-Jitsu 2026 na categoria adulto, faixa roxa, meio-pesado, e que recebe patrocínio da Cannabis Company. Esse contexto comercial é relevante: patrocínio e relato de experiência devem ser identificados com clareza, sem serem apresentados como comprovação científica.
O que o relato conta — e o que ele não responde
A fala do atleta descreve uma percepção individual dentro de uma rotina de treino. Ela não permite concluir que o CBD reduza dor, acelere recuperação, previna lesões ou melhore desempenho em outros atletas. Para responder a essas perguntas, seria necessário comparar grupos semelhantes, controlar fatores como carga de treino, sono e alimentação e avaliar segurança.
A pauta ganha um complemento importante com o registro de um ensaio clínico brasileiro específico para jiu-jitsu, o NCT07552974. O protocolo, ainda sem recrutamento e sem resultados, pretende testar CBD isolado versus placebo durante 12 semanas. É uma pergunta diferente de um depoimento e, se concluído, poderá oferecer dados mais úteis para a modalidade.
Recuperação não é uma fórmula única
No esporte de combate, recuperação envolve sono, carga de treino, nutrição, histórico de lesões, manejo de dor e planejamento. Uma substância não deve servir para mascarar sinais que pedem redução de carga ou avaliação profissional. A decisão sobre qualquer tratamento precisa ser individualizada e conduzida por profissional habilitado.
Para quem compete, há uma camada adicional: a composição do produto. “CBD” no rótulo não garante ausência de outras substâncias. Antes de usar qualquer produto de cannabis, atletas devem verificar regras antidoping aplicáveis à sua modalidade e discutir riscos com profissional qualificado.
Um debate que merece rigor
O relato de Rhian ajuda a tornar visível uma conversa presente nos tatames. O cuidado editorial é separar três níveis: a experiência dele, as alegações feitas na reportagem e a evidência que ainda precisa ser produzida. É essa distinção que permite falar de cannabis medicinal no esporte com interesse, sem prometer resultados que os dados ainda não confirmaram.
Aviso
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.Fontes e referências
Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.
Converse sobre seu casoRelacionados

Atletas que usam cannabis medicinal buscam foco e sono, não recuperação muscular, aponta levantamento
Levantamento com 47,5 mil pacientes que treinam regularmente mostra foco, sono e estresse à frente da dor muscular entre motivos para uso de cannabis medicinal. Entenda o que a ciência já sustenta.


WNBA tira a maconha da lista de banidas e cria regras para patrocínio — mas proíbe psicodélicos
A WNBA removeu a maconha da lista de substâncias banidas e criou regras formais para patrocínio de CBD — mas o mesmo acordo proíbe psicodélicos pela primeira vez. Entenda o que muda e o que isso não muda fora dos EUA.


Portuguesa é o primeiro clube do futebol brasileiro a adotar CBD na recuperação dos atletas
A Portuguesa testou CBD em fita adesiva num protocolo duplo-cego e depois adotou o composto na recuperação do elenco. Entenda o estudo, os limites e o que isso muda para quem treina fora do clube.

