Portuguesa é o primeiro clube do futebol brasileiro a adotar CBD na recuperação dos atletas
Departamento de Saúde e Performance do clube testou canabidiol em fita adesiva com um protocolo duplo-cego antes de levar o composto para a rotina do elenco profissional.

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis
Publicado em 18 de ago. de 2026
Atualizado em 18/08/2026

A Portuguesa se tornou o primeiro clube do futebol brasileiro a incorporar o canabidiol (CBD) à rotina de recuperação física dos atletas. A iniciativa partiu do Departamento de Saúde e Performance do clube paulista, hoje estruturado como SAF, e foi conduzida pelo médico Turíbio Leite de Barros, referência em medicina esportiva no Brasil.
O uso não nasceu de uma decisão de marketing. Antes de levar o composto para o elenco profissional, o departamento médico conduziu um teste-piloto controlado para observar o efeito do CBD na recuperação muscular — um passo que nem sempre acompanha a adoção de suplementos ou terapias alternativas no esporte.
Como foi o teste dentro do clube
O estudo reuniu dez voluntários fisicamente ativos, mas não atletas profissionais, em um modelo duplo-cego: nem os participantes nem os avaliadores sabiam qual perna recebia o composto ativo. Os pesquisadores induziram dor muscular nas duas pernas de cada voluntário por meio de exercícios de alta carga em uma cadeira extensora e, em seguida, aplicaram uma fita adesiva (kinesiotape) com CBD em uma perna e uma fita idêntica, sem o composto, na outra — mesma fabricante, mesma técnica, um único ingrediente variando entre os lados.
A avaliação acompanhou dor, força, flexibilidade e sinais de inflamação em três momentos: 24, 48 e 72 horas após o esforço.
O que os resultados mostraram
Segundo Turíbio Leite de Barros, “todas as variáveis tiveram melhora mais rápida na perna tratada com CBD. Houve redução mais acelerada da dor, recuperação mais rápida da força e da flexibilidade e diminuição mais rápida da inflamação”. O clube relata uma melhora de cerca de 30% na dor em comparação com a perna que não recebeu o composto.
Vale fazer uma leitura proporcional desse número: são dez voluntários não profissionais, e a pesquisa ainda não tem publicação revisada por pares — o material será apresentado em congresso do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM). Um resultado promissor em teste-piloto, com amostra pequena e comparação entre as duas pernas da mesma pessoa, não equivale a evidência definitiva nem autoriza generalização para qualquer atleta ou qualquer lesão.
Da fita ao elenco profissional
Depois do teste-piloto, o departamento médico levou o CBD para a rotina do time principal, aplicado da mesma forma: uma fita adesiva impregnada com o composto, posicionada sobre o músculo que precisa de suporte na recuperação. Segundo o médico, o princípio ativo é absorvido localmente pela pele, com efeito direcionado à região tratada — diferente de um óleo ou cápsula de uso sistêmico.
Reportagens sobre o caso também mencionam relatos de jogadores sobre melhora na qualidade do sono e na sensação de foco. Esses relatos são anedóticos até aqui e dependem de mais pesquisa para serem confirmados de forma consistente.
Por que isso não é doping
O CBD isolado não consta na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidopagem (WADA) — ao contrário do THC, que segue banido em competição acima de um limite definido. É por isso que a Portuguesa consegue adotar o composto sem risco regulatório para os atletas.
Essa distinção, porém, exige cuidado na prática: nem todo produto rotulado como “CBD” é realmente isolado. Contaminação cruzada por THC em produtos de espectro amplo já apareceu como fator de risco para atletas testados em outras análises sobre o tema. O laudo do lote, o fornecedor e o histórico de controle de qualidade da fita usada pela Portuguesa não foram detalhados publicamente — um ponto que qualquer atleta interessado em um caminho parecido deveria perguntar antes de tentar reproduzir a prática por conta própria.
O que muda para quem não joga em um clube profissional
O caso da Portuguesa não é uma recomendação de tratamento, e clubes de futebol profissional contam com acompanhamento médico full-time que a maioria dos atletas amadores não tem. Ainda assim, o episódio confirma um movimento maior: departamentos médicos institucionais no Brasil já testam formalmente o CBD como parte de protocolos de recuperação — não apenas como recurso informal de bastidores.
Para quem treina fora desse contexto, a pergunta central continua a mesma: qualquer decisão sobre uso de canabidiol depende de avaliação individual com um profissional habilitado, considerando histórico de saúde, calendário de competições e regras antidopagem da própria modalidade.
Fernando Paternostro é atleta de endurance, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis, projeto que conecta pacientes e médicos prescritores qualificados. Ele não é médico e não indica tratamento, produto ou dose.
Fontes
ND+. Clube com projeto bilionário no Brasil aposta em canabidiol para recuperação de jogadores. https://ndmais.com.br/futebol/clube-projeto-bilionario-no-brasil-aposta-em-canabidiol/
Lance!. Portuguesa usa canabidiol para acelerar recuperação e aumentar desempenho. https://www.lance.com.br/futebol-nacional/portuguesa-usa-canabidiol-para-acelerar-recuperacao-e-aumentar-desempenho.html
Portal Tela. Portuguesa usa canabidiol para acelerar recuperação e desempenho. https://www.portaltela.com/esporte/futebol/2026/04/13/portuguesa-usa-canabidiol-para-acelerar-recuperacao-e-desempenho/
World Anti-Doping Agency. Lista de Substâncias e Métodos Proibidos de 2026. https://www.wada-ama.org/en/resources/world-anti-doping-program/prohibited-list
Aviso
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.Fontes e referências
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