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WNBA tira a maconha da lista de banidas e cria regras para patrocínio — mas proíbe psicodélicos

O novo acordo coletivo, que vale até 2032, encerra o teste de rotina para maconha, regula endosso de produtos de CBD e abre um programa de bem-estar mental com acesso a terapia assistida por psicodélicos.

FP
Fernando Paternostro

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis

Publicado em 18 de ago. de 2026

Atualizado em 18/08/2026

Atleta enfaixa o próprio punho com fita esportiva em vestiário escuro, com planta verde desfocada ao fundo

A WNBA se tornou a primeira grande liga profissional feminina dos Estados Unidos a retirar a maconha da lista de substâncias proibidas. A mudança está no novo acordo coletivo de trabalho (CBA) fechado entre a liga e o sindicato das jogadoras (WNBPA), ratificado em 22 de maio de 2026 e válido por sete temporadas, de 2026 a 2032.

Até o acordo anterior, a cannabis era classificada como “droga de abuso”. Isso muda, mas não significa ausência total de regra — e o mesmo documento, pela primeira vez, proíbe formalmente uma lista de substâncias psicodélicas.

O que muda no teste antidrogas

O teste de rotina e aleatório para maconha acabou. Uma jogadora só pode ser testada ou sofrer consequência disciplinar relacionada à cannabis em situações específicas: se estiver inserida no Programa de Drogas de Abuso da liga, se for flagrada sob efeito da substância durante atividades da equipe ou da liga, ou se apresentar “uma dependência ou outra questão relacionada ao uso de maconha”.

Dentro desse programa, o não cumprimento do tratamento pode gerar multa diária de US$ 300, com penalidades que escalam até US$ 3 mil ou suspensão de três ou mais partidas em casos de descumprimento reincidente. Jogadoras que respondiam a processos disciplinares por maconha sob as regras antigas tiveram os casos revisados e as penalidades anuladas.

Regras novas para quem quer patrocínio de CBD

A parte mais inédita do acordo não é a remoção da maconha — outras ligas americanas já haviam feito isso antes. É a primeira vez que uma liga profissional cria um conjunto formal de regras para jogadoras que querem endossar produtos de CBD e hemp.

Jogadoras agora podem manter participação societária passiva (abaixo de 50%) em empresas de cannabis. Para anunciar um produto de CBD fabricado por uma empresa desse setor, é preciso aprovação prévia por escrito da liga e do sindicato. O acordo estabelece ainda que o produto não pode ser “associado a nenhum produto de maconha” nem criar “risco razoável de confusão pública” com um produto que contenha THC — uma tentativa de separar claramente CBD de maconha aos olhos do público e dos patrocinadores da liga.

Por que os psicodélicos entraram na lista de proibidos

No mesmo acordo em que afrouxa a regra sobre maconha, a WNBA endurece em outra frente: psilocibina, psilocina, DMT, ibogaína e canabinoides sintéticos passam a constar formalmente na lista de substâncias proibidas pela primeira vez.

A liga e o sindicato também criaram um programa de bem-estar com financiamento de US$ 2,3 milhões por ano, cobrindo serviços de saúde mental — incluindo acesso a terapia assistida por psicodélicos onde ela for legal. Jogadoras que participarem desse tipo de terapia precisam declarar formalmente a participação no programa. Ou seja: o acesso terapêutico existe, mas caminha ao lado de controle e disclosure, não de liberação irrestrita.

O que advogados apontam como risco

Especialistas em direito canábico já sinalizam tensão prática nesse desenho. Cathy Hampton e Nick Richards, sócios do escritório Greenspoon Marder, descrevem a mudança como “um compromisso estratégico: reduzir medidas punitivas vistas como ultrapassadas, mantendo as ferramentas necessárias para lidar com comprometimento e proteger a integridade do esporte” — um modelo que resumem como “descriminalização combinada com fiscalização situacional”.

O alerta técnico principal é sobre janela de detecção: exames de maconha podem detectar uso ocorrido semanas antes, o que não equivale a comprovar comprometimento no momento da atividade esportiva. Jogadoras que usam cannabis legalmente em seu estado também não estão livres de risco jurídico: a liga opera em jurisdições diferentes dentro dos EUA, e o sindicato afirmou que oferecerá apoio jurídico em casos de conflito entre lei estadual e federal.

O que isso não muda fora dos Estados Unidos

A WNBA é uma liga doméstica americana — sua regra de patrocínio e teste vale para o campeonato, não para competições internacionais ou olímpicas. Uma jogadora da WNBA convocada para competição regida pela Agência Mundial Antidopagem (WADA) continua sujeita à regra da WADA, que proíbe THC em período de competição e mantém o CBD isolado como exceção.

No Brasil, o cenário segue o mesmo descrito em outras reportagens do Atleta Cannabis: o Comitê Olímpico do Brasil já se posicionou favoravelmente ao uso de CBD isolado por atletas, mas não existe, até o momento, nenhuma liga esportiva brasileira com um marco de patrocínio tão detalhado quanto o que a WNBA acabou de criar. A distância entre liga doméstica americana e esporte olímpico internacional é justamente o ponto que costuma gerar confusão: a mudança de uma liga não muda a regra de uma federação internacional.

Fernando Paternostro é atleta de endurance, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis, projeto que conecta pacientes e médicos prescritores qualificados. Ele não é médico e não indica tratamento, produto ou dose.

Fontes

Marijuana Moment. WNBA Removes Marijuana From Banned Substances List And Sets Rules For Player Endorsements Of Hemp CBD Products. https://www.marijuanamoment.net/wnba-removes-marijuana-from-banned-substances-list-and-sets-rules-for-player-endorsements-of-hemp-cbd-products/

Greenspoon Marder. Analyzing WNBA's Cannabis Policy Shift: A Legal Perspective from Two Fronts. https://www.gmlaw.com/news/wnbas-cannabis-policy-shift-a-legal-perspective-from-two-fronts/

CannIntel. WNBA Drops Marijuana Ban, Adds Psychedelics in New CBA. https://cannintel.com/culture/wnba-drops-marijuana-ban-adds-psychedelics-new-cba

World Anti-Doping Agency. Lista de Substâncias e Métodos Proibidos de 2026. https://www.wada-ama.org/en/resources/world-anti-doping-program/prohibited-list

Aviso

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.

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