Bebida com THC vira patrocinadora oficial de liga profissional de pickleball
A parceria da Major League Pickleball vai até 2027 e mostra uma mudança no marketing esportivo — sem transformar THC em recurso de performance nem alterar regras antidoping.

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis
Publicado em 29 de ago. de 2026
Atualizado em 29/08/2026

Uma bebida com THC derivado do cânhamo entrou oficialmente no mapa de patrocínios de uma liga profissional dos Estados Unidos. Em 5 de agosto de 2026, a Major League Pickleball (MLP) anunciou a Torch Beverages como sua bebida oficial com THC em um acordo válido até 2027.
O movimento chama atenção porque aproxima uma categoria ligada à cannabis de uma competição esportiva profissional em expansão. Mas o significado da parceria é comercial e cultural: não é evidência de benefício para desempenho, recuperação ou saúde.
O que a liga anunciou
Segundo o comunicado da MLP, a parceria é plurianual e prevê presença da marca e experiências para o público adulto nos mercados em que a legislação permitir. A empresa descreve seus produtos como bebidas com THC derivado do cânhamo.
O acordo acompanha uma transformação mais ampla do mercado norte-americano de bebidas para adultos. Para o esporte, a novidade está menos no produto e mais no espaço institucional concedido à categoria dentro de um calendário profissional.
Patrocínio não significa liberação para atletas
Uma marca aparecer em eventos não muda automaticamente as regras de competição. A Lista Proibida de 2026 da Agência Mundial Antidoping mantém os canabinoides naturais e sintéticos, incluindo os diferentes tipos de THC, proibidos em competição. O canabidiol aparece como exceção, mas isso não elimina o risco de produtos conterem THC.
A MLP não afirmou que a parceria autoriza consumo por jogadores. Atletas precisam seguir as normas da própria competição e da entidade antidoping aplicável ao seu contexto. Patrocínio, disponibilidade ao público e elegibilidade esportiva são questões diferentes.
O que isso revela sobre cannabis e esporte
A notícia mostra como a cannabis começa a ocupar espaços de marketing antes reservados a categorias tradicionais de consumo adulto. Isso pode ampliar a conversa pública e reduzir estigmas, mas também aumenta a responsabilidade de separar publicidade, uso recreativo, tratamento médico e regras esportivas.
Para o Atleta Cannabis, o ponto central é esse: uma mudança cultural merece atenção, mas não autoriza atalhos clínicos ou promessas de performance. Informação responsável exige contexto, rastreabilidade e respeito às normas vigentes.
O acordo vale para o Brasil?
Não. A parceria foi anunciada para a liga norte-americana e suas ativações dependem da legislação de cada mercado. Ela não altera as regras brasileiras de acesso à cannabis medicinal, não cria autorização de venda no Brasil e não tem relação direta com a RDC 660 ou com a jornada de importação de pacientes.
Quem considera tratamento com cannabis deve conversar com um profissional de saúde legalmente habilitado. Fernando Paternostro atua como comunicador, paciente, atleta e conector entre pacientes e médicos prescritores; não realiza diagnóstico nem prescrição.
Fontes
Major League Pickleball. Torch Beverages Named Official THC Beverage of Major League Pickleball. Publicado em 5 de agosto de 2026. https://majorleaguepickleball.co/news-updates/
Torch Beverages. Torch Beverages Named Official THC Beverage of Major League Pickleball. https://torchdrinks.com/torch-beverages-named-official-thcbeverage-of-major-league-pickleball/
World Anti-Doping Agency. 2026 Prohibited List, seção S8 — Cannabinoids. https://www.wada-ama.org/sites/default/files/2025-09/2026list_en_final_clean_september_2025.pdf
Aviso
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.Fontes e referências
Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.
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