Correndo pela cultura: como Thai Richards está redefinindo comunidade através do movimento
Ex-atleta universitário, criador e fundador do Rage & Release, Thai Richards transforma a corrida numa ferramenta de inclusão em Nova York — e defende uma relação mais consciente entre atletas e cannabis.

Fernando Paternostro
Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis
24 de jul. de 2026

Nova York tem quase 900 quilômetros de linhas de metrô. Em algum momento de 2025, Thai Richards decidiu correr ao lado de cada uma delas — uma por uma, atravessando bairros, pontes e histórias diferentes da cidade só com os próprios pés.
Não era uma prova oficial. Não tinha medalha, largada cronometrada nem patrocinador de peso. Era um projeto pessoal, quase obsessivo, que virou símbolo de algo maior: a forma como Richards enxerga a corrida — não como competição, mas como ferramenta de conexão.
Ex-jogador de futebol americano universitário, hoje baseado no Brooklyn, Richards se define de forma mais ampla: criador, modelo, curador de experiências de bem-estar e, principalmente, fundador do Rage & Release, um projeto que mistura corrida, mindfulness e uma relação mais consciente com a cannabis.
Correr como linguagem, não como disputa
A maior parte da cultura de corrida ainda gira em torno de tempo, ritmo e recorde pessoal. Richards propõe outra entrada: e se correr fosse, antes de tudo, uma forma de pertencer a um lugar?
Foi assim que nasceu a ideia de correr cada linha de metrô de Nova York. Não para provar velocidade, mas para reivindicar espaço — inclusive para corredores negros, historicamente sub-representados em muitos circuitos de corrida da cidade.
O projeto virou uma declaração sobre inclusão. Cada trecho percorrido cruzava bairros diferentes, públicos diferentes, histórias diferentes. A corrida deixava de ser sobre performance individual e passava a ser sobre presença coletiva.
Rage & Release: movimento como filosofia
Rage & Release é o nome que Richards deu a essa filosofia. A proposta une três elementos que raramente aparecem juntos: esforço físico, atenção plena e uma abordagem mais aberta sobre cannabis dentro da vida ativa.
Richards atravessou, nos últimos anos, um momento pessoal marcado por perdas significativas — e é justamente esse contexto que aparece por trás do nome do projeto. Raiva e liberação, dois estados que ele associa diretamente à experiência de correr.
Uma crítica ao mercado, não uma promoção do consumo
O que diferencia o discurso de Richards de boa parte da conversa sobre cannabis e esporte é a cautela. Ele não trata o tema como fórmula mágica de performance — trata como algo que exige informação e intenção.
Uma das frases mais marcantes atribuídas a ele resume bem essa postura: entender como correr sem cannabis é tão importante quanto entender como ela pode, eventualmente, fazer parte da experiência.
Richards também é crítico do próprio mercado. Em Nova York, ele aponta uma preocupação real: parte dos dispensários prioriza lucro rápido em vez de qualidade e segurança do consumidor — um alerta que vale para qualquer atleta pensando em cannabis dentro da própria rotina.
O que fica da história de Thai Richards
Nenhuma parte dessa história substitui orientação médica, nem representa recomendação de uso. Regras sobre cannabis variam por país, por modalidade esportiva e por organização — e cada atleta precisa conhecer as normas que se aplicam à própria prática.
O que a trajetória de Richards ilustra é outra coisa: a corrida como espaço de comunidade, identidade e pertencimento — e uma conversa sobre cannabis cada vez mais disposta a trocar estigma por informação.
Fontes e referências
Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.
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