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Torcedores dos EUA aprovam patrocínio de marcas de cannabis no esporte, mostra pesquisa

Levantamento com mil torcedores em estados legalizados mostra apoio majoritário a patrocínios ligados a cannabis em nove ligas — da MLS ao UFC, passando por NBA, NFL e MLB.

FP

Fernando Paternostro

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis

24 de jul. de 2026

Montagem lado a lado de uma folha de cannabis e uma bola oficial da NBA erguida por uma torcedora

Durante anos, a indústria esportiva tratou qualquer aproximação com cannabis como um risco de imagem. Uma nova pesquisa nos Estados Unidos sugere que essa cautela pode estar cada vez mais desconectada da realidade — pelo menos na cabeça de quem paga o ingresso.

O levantamento foi conduzido pela Performance Research em parceria com a Full Circle Research, entre 23 e 26 de abril de 2025, com mil torcedores acima de 21 anos, todos residentes em 24 estados americanos onde a cannabis recreativa é legal.

Apoio majoritário em nove ligas

A pesquisa perguntou sobre dois tipos de patrocínio: marcas de CBD e marcas de THC associadas a times e ligas. Em nenhuma das nove ligas avaliadas houve rejeição majoritária a qualquer um dos dois formatos — um dado que já quebra uma expectativa comum dentro do próprio mercado esportivo.

Para patrocínios de marcas de CBD, o apoio variou de 55% a 73%: MLS lidera, com 73%. UFC vem em seguida, com 68%. Tênis profissional aparece com 64%. NHL e golfe profissional empatam em 62%. NBA registra 60%. NASCAR marca 56%. NFL e MLB fecham a lista, empatadas em 55%.

THC divide um pouco mais, mas ainda tem maioria

Quando a pergunta foi sobre marcas de THC — geralmente vista como mais sensível —, o apoio caiu, mas continuou majoritário em todas as ligas, variando entre 46% e 69%.

MLS segue na liderança, com 69%. UFC aparece com 60%. NHL registra 55%. Tênis profissional e NASCAR empatam em 53%. NBA marca 50%. Golfe profissional tem 49%. NFL e MLB voltam a fechar a lista, agora com 46% cada — a única faixa abaixo dos 50%, mas ainda longe de configurar rejeição majoritária.

Torcedor sabe pouco, mas não se importa

Um dado chama atenção: apenas 17% dos torcedores entrevistados disseram estar cientes de patrocínios de cannabis já existentes no esporte. Mesmo entre quem não sabia da existência dessas parcerias, a percepção sobre ligas associadas ao tema foi predominantemente neutra ou positiva.

Ou seja: o público não está pedindo patrocínio de cannabis nas arquibancadas — mas também não vê problema quando ele acontece.

"Não existe mais motivo para timidez"

Jed Pearsall, presidente da Performance Research, resumiu o momento numa frase direta: "Acho que não existe mais uma razão justificável para ter vergonha disso."

A frase capta uma mudança que vem acontecendo em paralelo em várias frentes do esporte — de ligas revisando políticas antidoping a atletas assumindo publicamente o próprio uso. A pesquisa sugere que o torcedor comum já chegou a esse ponto antes de boa parte do próprio mercado.

O que isso significa

Um levantamento de opinião não muda regulamento, não altera política antidoping e não representa endosso médico de nenhum tipo — mas ajuda a entender por onde a conversa está indo.

Se ligas como NFL e MLB ainda aparecem no fim da lista, elas seguem, mesmo assim, com apoio majoritário. E isso já é uma mudança e tanto para um mercado que, até pouco tempo atrás, evitava qualquer associação pública com cannabis.

Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.

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