Cannabis antes do exercício: mais prazer, mas também mais esforço percebido
Estudo com usuários habituais avaliou produtos comerciais ricos em THC ou CBD e não encontrou evidência de melhora de performance.

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis
Publicado em 20 de jul. de 2026
Atualizado em 21/07/2026

A relação entre cannabis e exercício costuma ser discutida em extremos: ou como incompatível com uma vida ativa, ou como ferramenta para tornar o treino melhor. Um estudo publicado em 2024 encontrou um quadro mais complexo, com efeitos subjetivos positivos e negativos na mesma sessão.
Quem participou e o que foi comparado
O estudo reuniu 42 usuários regulares de cannabis, com idades entre 21 e 39 anos, que já tinham experiência em combinar cannabis e exercício. Cada participante realizou uma sessão sem cannabis e outra após usar, de forma livre, um produto comercial em flor.
Os produtos eram predominantemente ricos em THC ou em CBD. Por restrições federais nos Estados Unidos, o consumo ocorreu fora do laboratório; depois, os participantes fizeram exercício em ambiente controlado.
Não houve placebo, a dose não foi padronizada e os participantes sabiam quando haviam usado cannabis. Isso limita conclusões causais e aumenta a influência de expectativa.
Mais prazer e runner's high
Na sessão com cannabis, os participantes relataram humor mais positivo, maior prazer e mais sintomas associados ao runner's high. A diferença de prazer foi maior no grupo que utilizou o produto predominante em CBD.
Esses resultados ajudam a explicar por que algumas pessoas dizem combinar cannabis e atividade física por razões não ligadas à performance, como aproveitar mais a experiência.
O outro lado: o exercício pareceu mais difícil
Os participantes também relataram maior esforço percebido na condição com cannabis. Esse aumento foi mais evidente com o produto predominante em THC; no grupo de CBD, a diferença de esforço foi menor.
Os níveis de dor já eram baixos e não diferiram entre as sessões. Portanto, o estudo não demonstrou alívio de dor durante o exercício.
Também não foi desenhado para provar melhora de velocidade, potência, resistência ou desempenho competitivo. Sentir mais prazer não significa produzir mais performance.
Por que não é uma recomendação para treinar sob efeito
Os participantes eram usuários habituais e já combinavam cannabis com exercício. Os resultados não podem ser transferidos para quem não usa, para atletas de elite ou para pessoas com condições clínicas.
Produtos com THC podem alterar percepção, atenção, coordenação e julgamento. Dependendo da modalidade, isso aumenta riscos de queda, colisão, erro técnico ou decisão inadequada. Exercício em via pública, água, altura, velocidade ou com equipamentos torna essa preocupação ainda mais relevante.
No esporte competitivo, o THC está sujeito às regras antidoping em competição. A responsabilidade objetiva permanece com o atleta.
O que a pesquisa realmente acrescenta
O estudo desafia a ideia de que os efeitos sejam apenas positivos ou apenas negativos. Para usuários regulares, a cannabis esteve associada a uma experiência mais prazerosa, mas também a maior esforço percebido. Os efeitos variaram conforme o perfil de canabinoides.
Faltam ensaios controlados por placebo, doses padronizadas, amostras diversas e avaliação objetiva de segurança e desempenho. Até lá, a pesquisa descreve uma experiência subjetiva específica; não estabelece benefício esportivo nem protocolo de uso.
Para atletas e praticantes, a mensagem mais responsável é considerar contexto, risco, regras, saúde mental, interações e segurança da modalidade — sempre com orientação profissional quando houver uso medicinal.
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Aviso
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.Fontes e referências
Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.
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