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CBD antes do exercício aeróbico: o que um ensaio piloto realmente encontrou

Com apenas nove homens treinados, o estudo observou mudanças fisiológicas e de prazer, mas não melhora no tempo até a exaustão.

FP

Fernando Paternostro

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis

20 de jul. de 2026

Ciclista durante exercício aeróbico representando fisiologia e CBD

Pode o CBD alterar a experiência e a fisiologia de uma sessão de endurance? Um ensaio piloto de 2022 investigou essa pergunta em condições controladas. Os resultados chamam atenção, mas o tamanho da amostra exige uma leitura especialmente cuidadosa.

O desenho do experimento

Nove homens treinados em endurance participaram de duas sessões. Em uma receberam 300 mg de CBD oral; na outra, placebo. A ordem foi randomizada e o estudo foi duplo-cego. O produto foi administrado 90 minutos antes do exercício.

Em cada visita, os participantes correram 60 minutos a 70% do VO2 máximo e depois fizeram um teste progressivo até a exaustão. Os pesquisadores acompanharam consumo de oxigênio, frequência cardíaca, lactato, glicose, percepção de esforço, prazer ou desprazer, tempo até a exaustão e marcadores sanguíneos.

O que mudou com o CBD

Durante a corrida submáxima, o CBD pareceu aumentar discretamente o consumo de oxigênio em um dos momentos, as avaliações de prazer e o lactato sanguíneo. No teste progressivo, também surgiram sinais de aumento do VO2 máximo medido e da razão de troca respiratória máxima.

Não houve diferença clara em frequência cardíaca, percepção de esforço, glicose ou razão de troca respiratória durante a corrida constante. Mais importante para uma alegação de performance: não houve diferença no tempo até a exaustão nem na frequência cardíaca máxima.

O exercício elevou marcadores inflamatórios e mioglobina, mas as mudanças foram pequenas demais para uma avaliação confiável do efeito do CBD. A anandamida aumentou com o exercício em ambas as condições, enquanto o CBD pareceu reduzir sua concentração depois do teste máximo em comparação ao placebo.

Alterar uma medida não é necessariamente melhorar desempenho

Um aumento no consumo de oxigênio pode parecer positivo à primeira vista, mas o significado depende do contexto. Se o atleta consome mais oxigênio para sustentar a mesma carga, isso não equivale automaticamente a maior eficiência. E uma mudança medida no VO2 máximo precisa vir acompanhada de repetição em amostras maiores e, idealmente, de melhora funcional consistente.

O prazer durante o exercício também é um resultado interessante. Uma experiência mais agradável pode favorecer adesão em alguns contextos, mas não substitui desempenho, segurança ou indicação clínica.

Por que o estudo é preliminar

Nove participantes é uma amostra muito pequena. Todos eram homens treinados, o que limita a aplicação a mulheres, iniciantes, atletas de elite e pessoas com condições de saúde. O estudo avaliou uma dose aguda relativamente alta e não responde sobre uso repetido, doses menores ou outras formulações.

Os autores usaram os resultados para identificar sinais “dignos de investigação”, não para estabelecer eficácia. Essa linguagem importa: o ensaio foi desenhado para abrir caminhos, não para entregar uma conclusão definitiva.

A leitura prática

O CBD não pareceu prejudicar o desempenho aeróbico nas condições testadas, mas também não melhorou o tempo até a exaustão. Algumas respostas fisiológicas e psicológicas mudaram e precisam ser confirmadas.

Isso não cria um protocolo de uso antes do treino. Atletas devem considerar avaliação médica, possíveis interações, qualidade do produto e regras antidoping. Embora o CBD isolado seja permitido pela WADA, outros canabinoides continuam sujeitos a restrições e podem aparecer por contaminação.

Por enquanto, a conclusão mais fiel é: existe uma pergunta científica promissora, acompanhada de evidência ainda pequena.

Aviso

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.

Quebrar o estigma começa com uma conversa baseada em evidência.

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