Senador dos EUA propõe proibir patrocínios de cannabis a atletas universitários
Emenda apresentada por Tim Scott impediria acordos de imagem entre atletas e marcas de cannabis. A proposta também inclui álcool, apostas, tabaco e nicotina, mas ainda depende de aprovação.

Triatleta Ironman, paciente de cannabis medicinal e fundador do Atleta Cannabis
Publicado em 28 de set. de 2026
Atualizado em 28/09/2026

Atletas universitários dos Estados Unidos conquistaram nos últimos anos o direito de ganhar dinheiro com o próprio nome, imagem e reputação. Agora, uma proposta apresentada no Senado pretende estabelecer limites nacionais para os tipos de marcas que podem participar desse mercado.
O senador republicano Tim Scott, da Carolina do Sul, apresentou uma emenda que proibiria atletas universitários de celebrar contratos de publicidade ligados à cannabis. A restrição faria parte do *Protect College Sports Act of 2026*, projeto que busca criar regras federais para o sistema esportivo universitário americano.
A emenda foi apresentada em 22 de setembro como *Senate Amendment 6816*. Até a publicação desta matéria, ela ainda não representava uma proibição em vigor.
O que são os contratos NIL?
NIL é a sigla em inglês para *name, image and likeness* — nome, imagem e semelhança. Esses acordos permitem que estudantes-atletas recebam por campanhas publicitárias, presença em eventos, conteúdo para redes sociais, licenciamento e outras formas de exploração comercial da própria imagem.
O projeto principal reconhece federalmente o direito desses atletas de receber compensação por contratos NIL. A proposta de Tim Scott criaria uma exceção para determinadas categorias comerciais.
Além da cannabis, a emenda impediria contratos que promovessem bebidas alcoólicas, tabaco e produtos com nicotina, apostas e produtos ou serviços comerciais sexualmente explícitos.
Segundo a descrição pública da proposta, a vedação alcançaria contratos firmados por universidades, conferências esportivas, associações universitárias, coletivos ligados às instituições e outros terceiros.
A proposta não proíbe o uso de cannabis
A emenda não tornaria ilegal que um atleta utilizasse cannabis nem eliminaria seu direito geral de receber por contratos de imagem. O alvo seriam especificamente os acordos comerciais nos quais o atleta fosse remunerado para promover cannabis ou as outras categorias previstas.
Essa distinção é importante. Uso pessoal, tratamento médico, controle antidopagem e publicidade são assuntos diferentes, mesmo quando aparecem na trajetória do mesmo atleta.
Também não está claro, apenas pelas informações divulgadas sobre a proposta, como produtos de cânhamo e CBD seriam tratados em todas as situações. A aplicação concreta dependeria das definições mantidas no texto final e das regras criadas posteriormente.
Cannabis recebe o mesmo tratamento de álcool e apostas
Politicamente, a emenda chama atenção por colocar a cannabis ao lado de álcool, tabaco, nicotina, apostas e conteúdo adulto. A justificativa é proteger estudantes-atletas e impedir que sua imagem seja usada para promover categorias consideradas sensíveis.
Ao mesmo tempo, a medida levanta outra pergunta: atletas adultos devem ser proibidos por lei federal de participar de campanhas relacionadas a mercados legais em determinados estados?
A questão ganha peso porque uma pesquisa com torcedores americanos encontrou aceitação relevante de patrocínios de marcas de cannabis em diferentes ligas profissionais. Esporte universitário, porém, envolve instituições educacionais, atletas mais jovens e regras próprias — fatores que tornam o debate diferente.
Algumas universidades já adotam restrições semelhantes
Mesmo sem uma regra federal única, universidades americanas já podem restringir determinadas categorias. A Purdue University, por exemplo, informa que seus atletas não podem promover empresas de álcool, tabaco, apostas ou vendedores de substâncias controladas, incluindo dispensários de cannabis.
A University of Massachusetts também lista CBD e dispensários de cannabis entre as categorias proibidas em sua política interna de NIL.
Portanto, a emenda não criaria o debate do zero. Sua principal mudança seria transformar restrições que hoje variam entre instituições e estados em uma regra nacional ligada ao novo marco do esporte universitário.
Proposta ainda precisa superar o processo legislativo
O *Protect College Sports Act* avançou no Senado depois de votações procedimentais com apoio bipartidário. A votação final do projeto estava prevista para 28 de setembro de 2026.
Isso não significa, porém, que todas as emendas apresentadas seriam incorporadas. A proibição proposta por Tim Scott precisaria ser adotada pelo Senado e permanecer no texto durante as etapas seguintes do processo legislativo.
Mesmo que o Senado aprove o projeto, ele ainda precisará passar pela Câmara dos Representantes e receber a sanção presidencial antes de se tornar lei.
Por isso, a formulação correta neste momento é: um senador apresentou uma proposta para proibir esses contratos. Não é correto afirmar que os atletas universitários americanos já estejam proibidos por uma nova lei federal.
O que essa discussão revela sobre cannabis e esporte
O debate mostra que a presença da cannabis no esporte não depende apenas de evidência clínica ou de regras antidopagem. Publicidade, reputação institucional, proteção de jovens, liberdade comercial e diferenças entre leis estaduais e federais também fazem parte da equação.
Para o atleta, um produto permitido fora do esporte não é automaticamente seguro para uma campanha, para o regulamento de sua universidade ou para o controle antidopagem. Casos recentes, como a suspensão de um jogador de basquete pela detecção de THC, mostram por que uso, publicidade e elegibilidade precisam ser avaliados separadamente.
A proposta americana também surge em um ambiente no qual muitos atletas ainda relatam medo de conversar sobre cannabis dentro das próprias equipes. Criar regras claras pode reduzir incertezas, mas regras amplas também precisam ser discutidas com transparência para não transformar proteção em mais estigma.
O Atleta Cannabis continuará acompanhando a tramitação para verificar se a emenda será incorporada ao projeto e qual será o texto definitivo.
Fontes
The Marijuana Herald. U.S. Senator Files Amendment to Ban College Athletes From Marijuana-Related NIL Deals
United States Senate. S. 4668 — Protect College Sports Act of 2026
U.S. Schedule for Monday, September 28, 2026
Purdue University Athletics. Purdue University Athletics — Name, Image & Likeness
University of Massachusetts Athletics. University of Massachusetts Athletics — Massachusetts NIL
Fernando Paternostro atua como atleta, paciente, comunicador e conector entre pacientes e médicos prescritores. Ele não realiza diagnóstico, prescrição ou orientação clínica individualizada.
Aviso
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico, recomendação de produto ou de dosagem. O uso de cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um médico prescritor.Fontes e referências
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